Por que você e sua empresa ou escritório deveriam testar o trabalho remoto?
- Silas Amaral

- 9 de dez. de 2019
- 4 min de leitura
Desde que me mudei para os Estados Unidos, tenho respondido a uma dúvida recorrente de amigos, clientes e colegas sobre como faço para continuar trabalhando diretamente com meus clientes no Brasil. A verdade é que descobri os benefícios do #trabalhoremoto bem antes de me mudar para cá. Já tenho experiências de trabalho remoto há, pelo menos, seis anos - sempre após a jornada de trabalho dos escritórios, cujo expediente exigia minha presença física (eu saía do escritório; chegava em casa; tomava um banho; comia alguma coisa e voltava a trabalhar). Aliás, muita gente também fazia isso anos atrás, mas a prática ainda não era tão difundida.
Como o tema do trabalho remoto interessa a muita gente, gostaria de compartilhar com você algumas #tendências e dados internacionais; e o que considero ser um #posicionamento interessante para profissionais e empresas hoje em dia.
Muitas empresas e escritórios de advocacia (incluídas aí as #startups e as #lawtechs) brasileiros ainda demonstram certa dificuldade com as mudanças de costume causadas pelo avanço da #tecnologia. Esta tensão está longe de ser uma exclusividade verde-amarela, já que, em todo o mundo, as estruturas tradicionais do #mercadodetrabalho estão passando por uma verdadeira metamorfose – fenômeno que se acelera a cada ano.
Esta crise nos costumes e nas relações de trabalho é visível, especialmente em setores considerados mais conservadores – como o mercado de #serviçosjurídicos, por exemplo. Por incrível que pareça, em pleno século XXI, o ambiente de trabalho dos #advogados ainda coleciona episódios de verdadeira aversão à modernização das práticas, tais como a necessidade de implorar a dispensa do uso de paletó no verão; a forma de cobrança de honorários baseada em horas de trabalho; ou a resistência à automação completa dos processos judiciais, inaugurados desde 2011. Os exemplos são muitos, mas para não correr o risco de arrumar desafetos com alguns leitores, deixemos isso de lado. Vamos em frente.
Uma das mudanças de costume mais relevantes no mundo têm deixando gestores e companhias tradicionais de cabelo em pé: o trabalho remoto. Trata-se de uma tendência que veio para ficar. De acordo com as pesquisas, demonstram que ele aumenta a cada ano nos países de economia desenvolvida, deixando poucas dúvidas sobre a (intuitiva) falência do modelo antigo, baseado na exclusiva presença física nos escritórios.
Um estudo realizado pela FlexJobs e pela Global Workplace Analytics com indicadores de 2017 analisou o número de profissionais que trabalham remotamente nos EUA entre 2005 e 2017, ano em que foram contabilizados 4,7 milhões de pessoas em trabalho remoto. A tendência de crescimento se acentua ano após ano, conforme os índices de crescimento abaixo.
Algumas das vantagens para os profissionais e para os agentes econômicos são o aumento de produtividade ou performance, uma vez que as pessoas tendem a organizar seus compromissos com muito mais #flexibilidade. Esta é a razão mais mencionada por profissionais em uma pesquisa realizada em 2019 pela Buffer com 2.500 profissionais em diversos países, como Canadá, Reino Unido, Austrália e Alemanha, por exemplo.
O trabalho remoto também tem despontado como uma decisão tomada por um número cada vez maior de profissionais, na hora de escolher onde desejam trabalhar. O efeito da mudança de costumes é tão concreto que empresas e escritórios no exterior estão aderindo à flexibilização de trabalho remoto para continuar competindo por novos talentos. De acordo com indicadores, nos últimos dez anos, 83% das empresas norte-americanas já introduziram uma política de trabalho remoto ou estão em vias de introduzi-la.
Outra vantagem econômica (e ambiental?) é a diminuição de gastos com transporte público e manutenção operacional. Se determinada empresa ou escritório decidir tornar remota uma parte de seu time, os custos reduzirão instantaneamente e tal redução pode ser bastante significativa. Esta foi uma das conclusões a que chegou um estudo realizado em 2015 por pesquisadores da Stanford University, na Califórnia, acerca de um experimento na China.
Mas, veja, é igualmente importante compreender que o processo de mudança de costumes exige a adaptação de todos os players envolvidos. O trabalho remoto exige #maturidade e #responsabilidade tanto de profissionais e colaboradores, como de lideranças em empresas e escritórios. Novos #procedimentos e #culturadetrabalho precisam ser incorporados no cotidiano da organização. Noutras palavras, deve haver um #compromisso de aperfeiçoar a #comunicação e de coordenar as #expectativas sobre as novas formas de entregar #resultado.
Os #treinamentos, por exemplo, são ótimas ferramentas para iniciar a educação corporativa necessária às equipes, e podem ser ministrados na forma de cursos online, webinars, videoconferências. etc., podendo ser coordenados pela própria empresa ou escritório, ou, ainda, por uma #consultoria com expertise para preparar os ambientes de trabalho para funcionarem por meio de trabalho remoto.
É fundamental que os que desejem atualizar a gestão de pessoal para o trabalho remoto deem um passo de cada vez, durante a transição. Afinal, apesar de uma mudança massiva e global, devemos lembrar que o mundo inteiro está aprendendo com a nova experiência. Logo, o mais importante é começar, sem ficar para trás no processo de aprendizagem e no testes relativos aos novos procedimentos - conforme a máxima que apregoa que aos que depressa se permitem errar, é dado corrigir seus erros de forma ainda mais rápida.
O prof. Richard Susskind já ensinou em um de seus livros mais famosos - Tomorrow’s Lawyers - que em tempos de mudanças tecnológicas, pessoas ou empresas muitas vezes manifestam o denominado rejeicionismo irracional (no original, irrational rejectionism). O termo designa o que seria a intensa negação das novas tecnologias ou procedimentos, pelos céticos que com elas não desenvolvem relação ou experiência. São boas ilustrações do rejeicionismo irracional as conhecidas histórias de alguns advogados que iniciaram a prática antes do advento da internet, e que se negaram a substituir as máquinas de escrever pelos computadores.
A solução, recomenda o prof. Susskind, seria estimular os agentes a adotarem as novas tecnologias ou procedimentos o quanto antes, visando a identificar e a aproveitar as oportunidades fornecidas pelos conhecimentos emergentes. O conselho dado pelo mestre é realmente valioso, pois o desconhecimento do que é novo atinge a todos, de forma democrática, ou seja, sem distinções. Em um ambiente de mudança tecnológica, somos todos principiantes, sabemos muito pouco.
Tanto os profissionais como as empresas e escritórios deveriam questionar como o trabalho remoto irá #impactar as suas #atividades, sejam elas quais forem. Conforme os dados demonstram, é bastante provável que, nos próximos anos, a quantidade de ambientes de trabalho remoto supere a quantidade de ambientes tradicionais. A pergunta lúcida para os que já percebem a transição em que vivemos se impõe: quais serão os benefícios e desafios do trabalho remoto sobre a sua carreira, empresa ou escritório?








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